quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Erotização da infância: as pulseiras do sexo

Na Inglaterra apareceu uma nova moda entre os adolescentes e crianças... as pulseiras do sexo... são umas pulseiras coloridinhas, onde cada cor corresponde à uma brincadeira sexual: beijar na boca, mostrar os seios, fazer caricias, até chegar ao sexo propriamente dito. Essas pulseiras fazem parte de um jogo, onde se as pulseiras arrebentarem, a menina teria que reproduzir o comportamento sexual correspondente. (Matéria na íntegra no fim do post).

Muitas pessoas ficam chocadas ao lerem tal notícia. Eu mesma fiquei! Mas será que está moda surgiu do nada? Na verdade isso decorre de um longo processo que vivenciamos e ajudamos, cada um de nós, a produzir... será que as pulseiras do sexo da Inglaterra, são muito diferentes da dança na boquinha da garrafa do Brasil? Onde será que começamos a nos desviar daquele conceito de infância como uma fase singela e pura?

Me parece que de alguma forma, hoje, o conceito de infância está mudando...apesar de todas as lutas que temos pela proteção à infância, estamos imersos em uma cultura que tende a vender uma imagem distorcida da infância. Essa cultura estimula crianças a se vestirem como adultos; se comportarem como adultos; almejarem se sentir adultas o quanto antes.

Eu me lembro que quando era criança, a minha melhor brincadeira era colocar o salto alto da minha mãe, roubar um pouquinho de sua maquiagem e fazer aquela farra dentro de casa... Hoje, já não vejo as crianças brincarem com os saltos altos das mães...as crianças possuem seus próprios sapatos com saltinho! Sua própria maquiagem! Isso sem falar nos shortinhos minúsculos...

As crianças hoje parecem mini-adultos... não é de se estranhar, diante disso, que incluam em suas brincadeiras (algo apropriado a sua idade), comportamentos adultos (algo não apropriado a sua idade) que lhe são incorporados pela cultura e pela mídia.

A linha que divide o que é de adulto e o que é de criança já não está tão demarcada como antes... isso é um processo que vem se construindo historicamente... e de repente somos pegos de surpresa com noticias como a das “pulseiras do sexo” e ficamos completamente perplexos e chocados... mas devemos parar e pensar o quanto contribuímos para que esta linha demarcatória esteja se apagando.

Abaixo, reportagem sobre as tais pulseiras:
http://www.maqgoo.com/capa/noticias/pulseiras-do-sexo-alerta-aos-pais/

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Denúncia de pedofilia pela internet

Hoje foi inaugurado no site da Polícia Federal, um serviço de denuncias a casos de pedofilia pela internet (site: http://www.dpf.gov.br/).

Esta iniciativa faz parte do projeto "Anjos na rede", que disponibiliza através do site da polícia Federal um formulário para denúncias de crimes como pedofilia, genocídio e preconceito na internet.

O projeto é fruto de uma parceria entre a Polícia Federal, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) e a ONG SAFERNET, que surgiu durante o III Congresso Mundial de Enfrentamento de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (2008). Neste Congresso, a PF, a SEDH e a SAFERNET assinaram um Termo de Cooperação visando à criação da Central de Denúncias de Crimes Violadores dos Direitos Humanos, na internet.

A partir do formulário disponibilizado no site da PF, qualquer pessoa poderá denunciar anonimamente e de forma rápida e acessível, sites que divulguem pornografia infantil, crimes de ódio, de genocídio, dentre outros.

 Antes desta iniciativa, os crimes de pedofilia pela internet era denunciados pela Ong Safernet. Entretanto, esta Ong não possui poder de ação sobre tais crimes, apenas de denúncia à Polícia Federal (responsável pela averiguação e responsabilização do criminoso) e fiscalização. Com isto, os havia um espaço de tempo até que a PF tomasse conhecimento dos casos e pudesse agir.

A rapidez no recebimento das denúncias pela polícia agora, permitirá acelerar os procedimentos de identificação da autoria e preservação dos indícios do crime (uma vez que crimes na internet podem ser apagados de forma rápida), contribuindo para a redução do tempo entre a ocorrência do delito e a responsabilização criminal do suspeito.

A adoção de mais esta estratégia de combate a pedofilia pela internet reforça o nosso compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes em nosso país.